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segunda-feira, 31 de março de 2014

FÉ E CIDADANIA

O jovem, a fé e a cidadania

entrevista com Flávio Munhoz Sofiati, publicada na edição nº 438, julho de 2013.
Flávio Munhoz Sofiati
Flávio Munhoz Sofiatiprofessor da Universidade Federal de Goiás, doutor em Sociologia e autor dos livros Religião e juventude: os novos carismáticos (Ideias & Letras / Fapesp) e Juventude Católica: o novo discurso da Teologia da Libertação (EDUFSCar/Caju).
A Jornada Mundial da Juventude,
 um grande evento
 equiparado à Copa do Mundo e
 às Olimpíadas,
faz pensar nas formas como os
 jovens se relacionam
 com a fé e a religiosidade nos
 dias atuais,
 bem diferentes das formas tradicionais.
 Também faz pensar como o jovem
 relaciona
 sua fé com a vida em sociedade,
 com a cidadania
 e os valores que acredita. Para
 este debate
, convidamos o professor Flávio
 Munhoz Sofiati,
 da Universidade Federal de Goiás
 (UFG), que,
 através de suas pesquisas, revela
 novas
 configurações nessas relações.
  • Como a juventude tem se relacionado com a fé e a espiritualidade?
    Predominantemente, a partir da vertente pentecostal, ou seja, a partir de uma lógica do sagrado que tem como ponto de vista principal a questão dos dons do Espírito Santo. Hoje, os jovens estão vivenciando esse sagrado em religiões, igrejas evangélicas e, no caso do catolicismo, principalmente no setor ligado ao movimento carismático. Evidentemente que isso não é tudo. No catolicismo há uma vertente tradicionalista, que é mais ligada à perspectiva do sagrado difundida pelos jovens Arautos do Evangelho, por exemplo, que são aqueles jovens que se vestem com roupas de cavaleiros da Idade Média, e todo final de tarde saem com suas trombetas fazendo uma espécie de procissão com a imagem de Nossa Senhora. Tem também os jovens da Teologia da Libertação, que vivenciam o sagrado através de uma lógica de estabelecer uma coerência entre a fé e a vida do povo e a relação desse povo com o sagrado. Outros são os setores articulados em torno das congregações que trabalham com educação, que vivenciam a sua fé relacionando o seu conhecimento, a sua formação escolar com o sagrado, que é o caso, por exemplo, dos jovens das escolas maristas, lassalistas, salesianas etc. Mas, apesar dessas outras vertentes, a que predomina e que influencia as outras, é a vertente pentecostal carismática. Alguns autores dizem que essa maneira de ser igreja, de vivenciar a religião, é uma maneira que combina muito bem com o contexto atual, que é um contexto que estimula o consumo, que estimula os sentidos, a emoção. E essas igrejas têm todos esses componentes. São religiões que trabalham a questão do emotivo, do afetivo, do psicossocial.
  • Religiões ainda conseguem dialogar com os jovens?
    Conseguem e têm uma efetividade nesse diálogo. E isso não é difícil de encontrar. Se você fizer um passeio no final de semana pelas igrejas, vai ver um número de jovens que as frequentam. Mas esse diálogo tem sido provisório, ou seja, a juventude tem passado pela religião. A grande maioria não fica. Elas conseguem manter um pequeno número que depois se transforma em lideranças para a comunidade. Mas em geral o jovem passa. E ele passa frequentemente porque no momento em que essa vivência religiosa exige dele algumas renúncias, isso acaba conflitando com os seus interesses. E nessa disputa entre o proibido e o não proibido, acaba fazendo com que o jovem, a partir do momento em que resolveu o seu problema, em que a religião já foi eficiente, em que ele consumiu aquele produto que lhe satisfez, ele tende a não continuar respeitando as regras do grupo religioso e tende a se distanciar. Há uns cinco anos fiz pesquisas mais focadas nesse grupo, de carismáticos, e elas demonstram que, na hora em que se acirra a disputa entre a esfera religiosa e a esfera erótica, nesse universo juvenil tende a vencer a esfera erótica: a força sexual é muito mais poderosa do que a força religiosa.
  • Os jovens constroem sua religiosidade de uma forma diferente dos adultos?
    Sim. Eu pesquiso jovens na religião um pouco por isso. Fica evidente que o jeito de ser igreja dessa juventude é diferente do jeito de ser igreja dos adultos. É outra geração que, inevitavelmente, chega no grupo religioso, seja ele qual for, já com esse grupo constituído, mas ressignifica muitos aspectos desse grupo. Acontece isso, por exemplo, com a juventude da Teologia da Libertação em comparação com os adultos desse movimento. As mudanças sofridas, as transformações e perspectivas vivenciadas pela Teologia da Libertação são em grande parte resultado das práticas dos jovens desse grupo religioso (as pastorais da juventude, por exemplo). São pastorais que em geral fizeram uma mudança na sua maneira de evangelização, na sua maneira de ser igreja. Nos anos 1980 era evidente um vetor que partia da igreja para a ação evangelizadora na sociedade, com os jovens das pastorais da juventude em geral, em direção da formação daquele jovem iniciante para a militância, e isso desembocava nos movimentos sociais. O que passa a ocorrer a partir do ano 2000 é uma inversão desse vetor: não mais de dentro da igreja para a sociedade, mas da sociedade para a igreja. Então aí acontece uma reconfiguração do contexto.
  • E nessa nova configuração, a cultura, a música, passa a ser muito forte entre a juventude hoje?
    Se o aspecto político era enfatizado no passado, hoje o que é enfatizado é o aspecto cultural, o lúdico, o social, ou seja, priorizam-se outras esferas. E as manifestações artísticas e culturais dos jovens acabam refletindo a posição deles com relação à realidade, inclusive trazendo suas próprias demandas. Não é mais a plenária do movimento estudantil que encanta a ação desses jovens, mas é, por exemplo, o show do movimento hip hop. Então, de fato, há essa mudança de enfoque.
  • A mídia tem influenciado na religiosidade do jovem?
    Muitas vezes a mídia ajuda a fortalecer determinados aspectos, mas ela é a expressão de uma realidade. Se pegarmos o canal aberto em qualquer cidade do Brasil, observaremos que a maioria dos programas são religiosos, principalmente os de cunho pentecostal. Mas eu não diria que eles influenciam decisivamente. Muitos dizem que os evangélicos cresceram porque ocuparam um espaço importante nas rádios e, principalmente agora, na TV. Mas a igreja católica também ocupou esse espaço: nos anos 1990 existia uma única TV católica, enquanto que hoje existem várias, e são TVs conhecidas (Rede Vida, Canção Nova, Século 21, TV Aparecida). Existem também convênios com TVs públicas nos estados ou até mesmo com outras TVs católicas. Teve, assim, um crescimento da ocupação católica nas televisões, no entanto isso não significou um crescimento católico. Inclusive, no último Censo, pela primeira vez, os católicos tiveram um decréscimo em números absolutos e a queda do percentual tem sido constante desde os anos 1940, e é mais evidente agora nos anos 1990 e 2000. Os católicos eram 91% na década de 1990 e agora são 64%. Os evangélicos, principalmente os pentecostais, cresceram de 9% para 22% atualmente. Essa é a configuração geral, a queda dos católicos e o crescimento de dois grupos importantes: os evangélicos e os sem religião.
  • A que você atribuiria esse fenômeno?
    É uma nova configuração social. No caso da América, em geral, é uma reconfiguração do próprio cristianismo. Hoje, temos vivenciado uma pentecostalização do cristianismo. As pessoas costumam dizer, inclusive, que o movimento carismático da Igreja Católica é uma reação aos evangélicos pentecostais. No meu ponto de vista é mais do que isso, é a própria Igreja Católica influenciada por esse processo internacional de pentecostalização. É uma reconfiguração, porque se houve esse processo de pentecostalização, eu diria que no início do século 21 já temos um processo de neopentecostalização, porque igrejas como a Assembleia de Deus, que é uma igreja pentecostal de primeira geração, por exemplo, ela já tem setores neopentecostais (a denominação Assembleia de Deus Vitória em Cristo, por exemplo). Ou seja, a pessoa tem ali a Teologia da Prosperidade, a presença da mídia e vários outros aspectos que a caracterizam não mais como uma igreja pentecostal, mas como uma igreja neopentecostal, assim como também a Igreja Universal, a Igreja Mundial, a Igreja Internacional da Graça.
  • E a Jornada Mundial da Juventude nesse contexto todo?
    É mais uma tentativa de resistir a essa queda do mercado católico no Brasil. O Papa Bento XVI, quando esteve aqui em 2007, foi muito certeiro em dizer que a luta dos católicos era contra a perspectiva não religiosa de estar no mundo, quando muitos esperavam que ele dissesse que a disputa era com os evangélicos. E ele estava certo, porque o grupo que mais cresce é o sem religião. Grande parte desses 8% de brasileiros que se declaram sem religião (não que não acreditem em Deus, mas não têm nenhuma denominação religiosa) é um setor que tem crescido juntamente com os próprios ateus. E a Jornada Mundial da Juventude no Brasil é mais um movimento da igreja no sentido de manter-se atraente. A Igreja Católica está nessa disputa, nesse contexto e tem que enfrentar essa realidade, tem que criar mecanismos para sobreviver. É a igreja que mais sofre, porque é a igreja predominante. E onde surgem novos grupos, surgem dissidências da igreja predominante, que no caso do Brasil é a Igreja Católica. A Jornada é um pouco esse momento de aproveitar um espaço que já foi criado (que são as jornadas), de trazer para o Brasil, para a América Latina e ocupar esse ambiente. A Igreja Católica tem se mobilizado muito em cima disso. A Campanha da Fraternidade tem trabalhado o tema dos jovens, enfim, é uma expressão dessas dificuldades que a igreja enfrenta e reage a elas como foi, por exemplo, com a Ação Católica no início do século 20.

Projetos individuais ou coletivos?

Existem autores que afirmam que a juventude está sendo disputada por duas grandes forças na sociedade: a política e a propaganda. Ou seja, o projeto coletivo e o projeto individual. A propaganda geralmente está voltada para o consumo e o projeto político para a vida coletiva.
Os jovens estão muito envolvidos nesse ambiente e no geral tem vencido o projeto individual, da subjetividade. Talvez o nosso desafio seja mostrar
que é possível combinar o projeto da cidadania com o projeto da subjetividade.
Já existem pesquisas que evidenciam que os jovens, hoje, não abrem mão da sua individualidade.Então, o grupo tem que legitimar isso. Têm-se criado agrupamentos, tribos, comunidades jovens que se organizam a partir de sua identidade, de seu gosto, de seu perfil específico (o hip hop parece ser uma expressão disso). Só que o fundamental é entender que é possível ter esse perfil de defesa da identidade, mantendo o interesse no bem-estar coletivo. Quando você organiza um movimento cultural predominantemente voltado para jovens e que seria para todos, há um olhar mais apurado para o coletivo.
E o jovem está inserido nesse contexto. Os jovens religiosos pentecostais, carismáticos, neopentecostais, no geral, tendem para a subjetividade. Os jovens religiosos das pastorais da juventude tendem mais para a cidadania. 
Tenho trabalhado com uma lógica a partir de pesquisas internacionais, que mostra o seguinte: os jovens estão organizados hoje, predominantemente, a partir de movimentos religiosos. No passado, eram outros perfis. Se você pegar a história da juventude ao longo do século 20 e pensar essa juventude enquanto grupos organizados, ficam evidentes as tendências que foram predominando em determinados momentos da história. Há um momento mais sindical, um que é mais movimento social, outro que é mais movimento estudantil, político, cultural. E hoje temos um predomínio de organizações culturais e religiosas, e às vezes são as duas coisas ao mesmo tempo.
Fica evidente, portanto, que o contexto social influencia muito no modo de organização do jovem. E como o contexto atual tende para o subjetivo, para o individual e para o emotivo, as organizações também pendem para essa forma.


http://www.mundojovem.com.br/entrevistas/edicao-438-o-jovem-a-fe-e-a-cidadania

EVIDÊNCIAS - Mitos da Bíblia, 2012 - TVNovoTempo






ALGUNS FALSOS MITOS SOBRE A BÍBLIA

"A Bíblia perdeu parte de seu conteúdo original devido as sucessivas traduções"

Apesar de que qualquer tradução sem dúvida prejudique a essência de uma obra, não é procedente acreditar que a Bíblia que possuímos hoje seja diferente daquela que foi originalmente escrita. Ao contrário do que se pensa, a Bíblia não sofreu diversas traduções sucessivas. Mesmo as que possuímos em Português foram em sua maioria traduzidas de seu idioma original.

O Antigo Testamento foi escrito em Hebraico e Aramaico, e o Novo em Grego. Nenhuma dessas línguas está morta como ocorreu com o Latim, a primeira língua para a qual foi traduzida. Qualquer um desses idiomas é ainda hoje falado por milhões de pessoas no mundo e qualquer um pode aprendê-lo com facilidade em cursos, escolas especializadas ou universidades.

A maioria dos estudiosos afirma que a melhor tradução da Bíblia é a versão para o Inglês demoninada King James Bible, em Português as preferências recaem para a versão de João Ferreira de Almeida, utilizada pelos Protestantes, e para a Bíblia Católica de Jerusalém.

"A Bíblia teve seu conteúdo original deliberadamente alterado pela Igreja Católica"

Este é um mito sem o menor fundamento, embora de fato alguns trechos de certas versões da Bíblia tenham sofrido interpretações temporais, ela não sofreu nenhuma alteração em sua essência.

Além da Igreja Católica, a Bíblia também foi guardada por diversas comunidades do oriente médio, principalmente árabes, pela Igreja Ortodoxa Oriental e o Velho Testamento também pelos Judeus. Não há qualquer diferença significativa entre elas.

Ademais seria muito estranho que tal fosse verdade, pois pareceria um trabalho de péssima qualidade uma vez que diversas posturas da Igreja Católica são claramente Anti-Bíblicas, e se ela a tivesse alterado, teria pelo menos atenuado tais contradições.

Vale lembrar que o Catolicismo é uma religião baseada não somente na Bíblia, mas também em quase 2.000 anos de obras filosóficas, éditos e bulas papais.

"A Bíblia traz, disfarçadamente, o conceito de Reencarnação"

Esse mito é em geral alimentado pelos dois anteriores.

Apesar de ser este o desejo de diversos místicos, é preciso muita distorção interpretativa para se retirar a idéia de reencarnação diretamente da Bíblia. Há inúmeras citações que inviabilzam tal possibilidade, e pouquíssimas que se interpretadas isoladamente, poderiam sugerir qualquer apoio à crença da reencarnação.

"De acordo com a Bíblia, as pessoas boas estão no Céu e as Más no Inferno"

Essa é uma das mais flagrantes evidências do quanto a maioria dos cristãos não conhece sequer o básico sobre seu próprio livro sagrado.

Qualquer interpretação teológica séria da Bíblia mostra claramente que até hoje, NINGUÉM foi para o Céu ou Paraíso, nem exatamente para o Inferno ou mesmo Purgatório. De acordo com a Bíblia TODOS OS MORTOS ESTÃO MORTOS! Deixaram de existir! E sendo assim não tem qualquer consciência. Ou no máximo estariam em algum plano incogniscível.

Os mortos só serão ressuscitados no dia do Juízo Final, quando finalmente serão julgado por Deus e aí sim, os ditos ímpios serão lançados ao Abismo/Inferno e os escolhidos PERMANECERÃO NA TERRA, que voltará a ser um Paraíso como fora o Jardim do Éden. Pela maioria das teologias, ninguém ira exatamente para o Céu!

A Bíblia também não menciona o Purgatório.

"A Bíblia declara que os condenados ao Inferno sofrerão Eternamente"

Embora essa idéia seja predominantemente difundida entre boa parte dos cristãos, ela não é declarada explicitamente na Bíblia. No Velho Testamenteo com certeza não há qualquer menção a Condenação Eterna, mas há sim citações no Novo Testamento que dão essa idéia. Entretanto ela é extremamente duvidosa uma vez que as palavras empregadas, inclusive a usada para "eterno", tem outros significados.

Muitos teólogos e igrejas específicas propõem que os condenados serão aniquilados pelas chamas do Inferno, ou seja, deixarão definitivamente de existir. É a doutrina do Aniquilacionismo.

Além disso a própria expressão "Punição Eterna" possui uma contradição básica que pode ser evidenciada em qualquer dicionário. "Eterno" é um conceito que está fora do Tempo, tendo sempre existido, já "punição" ou "condenação" claramente dependem do conceito de Tempo, só se pode ser julgado ou condenado por algo que se fez no passado, e só se pode ser punido a partir de algum momento no tempo, o que contraria a idéia de Eterno.

O termo mais correto seria Punição Perpétua, que mesmo assim, não possui base Bíblica clara.

"Pela Bíblia o Ser Humano possui uma alma imortal que transcende o corpo físico"

Outro mito difundido mas sem base. Pela Biblia, o Ser Humano só possui alma enquanto possuir corpo. Não há uma essência espiritual independente. Após a Ressureição no Juízo Final, que ressucita tanto a alma quanto o corpo, os escolhidos para o Paraíso viverão fisicamente nele, assim como os lançado ao Inferno.

"A Bíblia, se bem interpretada, não apresenta erros sobre a concepção da natureza"

Esse é um mito pró-bíblico recente disseminado em geral por fundamentalistas cristãos, em especial pela Sociedade Torre de Vigília e várias designações batistas. Trata-se de tentar provar, sacando versículos isolados e alterando-lhes a interpretação, que a Bíblia contém uma visão de mundo plenamente compatível com a visão científica atual. Faço uma abordagem que demonstra uma visão Geocêntrica e Plana da Terra no texto CIÊNCIA X BÍBLIA. Há inúmeros outros erros de ordem científica na Bíblia, que pretendo abordar pouco a pouco.

A ser continuado...

Embora seja evidente que a Bíblia dê margens a múltiplas interpretações, há limites para tais. Há de fato muito pontos discutíveis, contraditórios e dúbios, porém, nada muda o fato de que a Bíblia Cristã seja um livro RELIGIOSO, CRIACIONISTA, MONOTEÍSTA, NÃO-REENCARNACIONISTA, SALVACIONISTA, de considerável teor MANIQUEÍSTA e sobretudo MITOLÓGICO.






Mitologia cristã

Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.
É considerada como mitologia cristã o corpo de histórias
 que explicam ou simbolizam crenças cristãs. Um mito
 cristão é uma história religiosa que os cristãos consideram
 ter profunda explicação ou significado simbólico.
 Para os especialistas em cristianismo, este termo é usado
 universalmente para se referir a todas as crenças do cristianismo.
mitologia cristã, mesmo sem se referir a assuntos-chave da
 doutrina cristã, inclui o corpo de lendas que se acumularam sobre
 os personagens do Novo Testamento e da vida dos santos para
 enfatizar ou explicar as crenças. Os detalhes lendários da carreira
 de Pôncio Pilatos são exemplos clássicos de mitologia cristã.
 Muitos detalhes de hagiografias estão nos padrões de mitografiacristã.
Essas histórias ilustram temas cristãos podendo ou não estar na biblia.
 Outras histórias, que foram criadas para ensinar valores ou tradições
 espirituais cristãs, podem ser incluídas na categoria de mitologia cristã.
 As histórias de São Jorge e São Valentim eram aceitas como verdadeiras,
 mas hoje colocam-se como histórias fictícias.

Mitologia cristã bíblica


Fazem parte da mitologia cristã, JesusDeusEspírito Santo,
 os 3 principais; além de anjosanjo da mortearcanjos,
 celestiais,demôniosespíritos de demônios, vermes infernais,
 bestas demoniacas, dragões, feras de sete cabeças,
 homens gigantesbeemotesjumento-falante, serpente-falante,
 serpente-bípedeárvoreda vida, comida caindo do céu, cajados
 virando serpentes, água virando sangue, pessoas voltando dos mortos,
 o Sol parando por horas, abertura do Mar Vermelhobruxas lendo o futuro,
 anjos dormindo com humanas, pessoas que passam dias no
 estômago de uma baleia, entre outros. Além de histórias,
 contos e passagens não comprováveis cientificamente que se encontram naBiblia.
Acontecimentos importantes na história mitológica que são aceitas
 (com variações) por muitos cristãos:
Mitos compartilhados com o Tanakh hebraico
  • Cosmogonia
O Cristo

Escatologia

Mitologia cristã não bíblica








São exemplos de mitos cristãos não mencionados no cânone
 e elaborações literárias e tradicionais na mitologia cristã canônica:

Ver também[editar | editar código-fonte]


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segunda-feira, 24 de março de 2014

A VIOLÊNCIA E O SAGRADO



Entrevista – René Girard (A VIOLÊNCIA E O SAGRADO)

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Para o filósofo e historiador francês, a tendência das multidões é canalizar a violência coletiva em um único indivíduo
Melissa Antunes de Menezes
“A concepção romântica do desejo é ilusória”, afirma René Girard, 85, membro da Academia Francesa e professor de Literatura Francesa na Universidade de Stanford. Sua teoria do desejo mimético indica que entre o sujeito e o objeto não existe somente o desejo, mas também o modelo, o mediador do desejo, ou o rival. O conceito de mimesis aqui estabelece o ponto central da articulação. Desde as sociedades primitivas, o desejo mediado é o desejo causador dos conflitos. Pela imitação, aprendemos a falar, a andar e a desejar. E, pela imitação do desejo alheio, competimos e rivalizamos, dando início a um ciclo de violência, capaz de se atenuar pelo sacrifício, neste caso, de uma vítima que acaba por aliviar as tensões do coletivo, reestabelecendo a paz momentânea. Torna-se inevitável, dentro deste esquema, que também o ciúme e a inveja façam parte da mimesis do desejo.
Radicado nos Estados Unidos há mais de 50 anos, Girard estudou o Antigo Testamento sob a ótica sociológica e vê no cristianismo a primeira religião que consegue amenizar a violência pelo expediente da crucificação.
Nesta entrevista, concedida com exclusividade à CULT, o historiador fala sobre alguns dos temas presentes naquele que é considerado seu mais importante livro, Coisas ocultas desde a fundação do mundo, publicado originalmente em 1978 e lançado neste mês pela editora Paz e Terra. Nele, Girard aprofunda, através de diálogos com dois psiquiatras franceses, suas hipóteses sobre a violência, o desejo e a representação do sagrado, desenvolvidas a partir de temas de seu livro anterior, A violência e o sagrado.
CULT – Fala-se muito hoje em violência. Mas não vivemos uma época em que há maior controle social e cultural da violência do que em qualquer outro período da história?
René Girard – Temos um grande controle da violência no que se refere ao local. Entretanto, as pessoas não estão cientes da violência em si. A mediação externa resolve o problema da violência de forma imperfeita porque o faz através de uma vítima. Considero que temos paz no âmbito individual, mas a ameaça está no coletivo. Tanto o rito quanto a proibição somente adiam a explosão da violência.
Sistemas religiosos como o cristianismo atuam no sentido de conscientizar sobre o uso da vítima expiatória. E não existe uso deste mecanismo de forma consciente. O bode expiatório é inconsciente, ou não é.
Em um nível exponencialmente maior, estamos lidando hoje com a possibilidade da destruição total, do uso da violência em termos absolutos, através do crescente desenvolvimento de tecnologias novas como a nanotecnologia — manipulação de partículas que podem desencadear reações de potencial altamente destrutivo.
CULT – Assim como Peter Gay, o senhor afirma que o coletivo é assassino por natureza e não o homem. Poderia explicar?
RG – Penso que o indivíduo não é assassino em sua natureza e, sim, o coletivo. As descobertas coletivas são perigosas em vários aspectos do desenvolvimento humano.
A primeira metade do século 20 foi intensamente bélica. O século 21 traz novos desafios e preocupações, que são o desenvolvimento científico e as descobertas para as quais não estamos novamente preparados.
Acredito que nossa natureza mimética é responsável pela tendência das multidões de focalizar sua violência em um único indivíduo que se transforme, arbitrariamente, no bode expiatório de alguma comunidade. A matança unânime de uma vítima inocente, no passado, pacificava multidões perigosamente perturbadas e tornou possível sua estabilização.
Acredito que o bode expiatório tem um papel essencial na criação e na perpetuação de religiões arcaicas. As culturas arcaicas foram essencialmente a repetição de sacrifícios religiosos, evacuando a violência interna através destas vítimas substitutas. Isto não significa que eu recomende o mecanismo do bode expiatório para a manutenção da paz dentro das comunidades. Uma vez que o ciclo do sacrifício é compreendido, ele perde sua eficácia, como uma arma contra a violência interna.
Os deuses arcaicos, na minha opinião, são vítimas da matança daqueles que põem fim à violência disruptiva e são considerados divindades da violência e da paz.

CULT – Thomas Mann se perguntava: “Não é a paz um elemento de corrupção civil e a guerra purificação, liberação, uma enorme esperança?” O rito sacrificial – o uso da violência para apaziguar ânimos – vem sendo há muito tempo discutido pela literatura universal?
RG – Não concordo que a guerra traga purificação. Na literatura há comentários sobre o comportamento mimético tanto do desejo, quanto da violência. O rito sacrificial é arcaico, é gênese da violência humana. O uso do bode expiatório está presente na literatura, como em Shakespeare, por exemplo.
Esta declaração do jovem Thomas Mann reflete a atitude à época do início da Primeira Guerra e foi compartilhada por muitos ingleses e franceses. Este espírito durou até, aproximadamente, 1916. Estas opiniões sofreram mudanças extremas devido às terríveis perdas da guerra e do progressivo aumento do poder militar.
Mann era muito comprometido e leal às ideias antinazistas e perdeu sua crença no poder enobrecedor do aparato de guerra. Concordo com o Thomas Mann mais velho. No futuro, ou não haverá nenhuma guerra como aquelas do século 20, ou nós veremos a destruição da civilização.
CULT – Em Coisas ocultas desde a fundação do mundo, o senhor diz que os ritos sacrificiais perderam força sob influência do judaísmo e do cristianismo. No que concerne à relação entre Israel e Palestina, existe o uso do mecanismo sacrificial?
RG – Devemos tentar ver todos os conflitos e guerras que temos hoje sob a ótica do mecanismo mimético. Mimesis tanto do desejo, quanto do uso da violência. No cristianismo, quebra-se o ciclo. Cristo oferece a outra face e redime seus algozes. Não busca vingança, não derrama mais sangue. É pela cruz, pelo amor, que se dá a interrupção do ciclo de violência. O cristianismo mostrou que a sociedade humana produzia vítimas únicas. A crucificação desobstruiu o caminho para o entendimento do processo da vítima expiatória.

CULT – Mimetizamos o desejo e também a violência? Ou, ao mimetizar o desejo, criamos a violência?
RG – Sim, as duas sentenças estão corretas. Criamos rivalidade na mimesis, competindo pelo mesmo objeto, desejando os desejos do nosso modelo, o outro. Esta admiração velada do prestígio do outro, do que o outro possui, é a constatação clara de ser insuficiente. Constatação esta muito angustiante e incômoda. Já o modelo, o intermediário, não é passivo dentro deste mecanismo. Pelo contrário, faz de tudo para provocar o desejo do outro sobre seu objeto. Pois, que valor tem o objeto, senão pelo desejo de outrem? Este é o ciclo infernal do desejo. E também dos conflitos.
CULT – Para Freud, o mal-estar do homem moderno ocorreria devido à repressão de sua violência natural, que gera outros problemas de ordem interna e também conflitos sociais de diferentes naturezas. A teoria de Freud não vem de encontro à sua?
RG – Sim, há uma oposição entre as ideias de Freud e as minhas. Muitos diriam que tanto na repressão da libido em Freud, quanto no uso do mecanismo de vítimas arbitrárias para aplacar explosões, reside uma ideia similar. Mas não concordo com Freud e com sua teoria de que tudo está relacionado ao desejo sexual. Freud justifica todo comportamento humano baseando-se nesta ideia. Ele foi o primeiro a ver a profunda influência que uma pessoa tem sobre a outra. Mas discordo de sua visão de que a influência dos pais delinearia a personalidade. A visão de Freud ficou muito restrita ao período em que viveu, no qual predominava um certo tipo de estrutura familiar.


CULT – E quanto àqueles que somente desejam o impossível? Ou, como disse Kierkegaard, “cometem o pecado capital de não querer nada profunda e autenticamente”?
RG – Minhas ideias estão bem mais próximas às de Kierkegaard do que foi visto nas entrevistas que dei e nos artigos escritos sobre minha obra. Para mim, o desejo do impossível e o não-desejo ainda estariam de acordo com mecanismos miméticos.
Kierkegaard constatou, em sua análise dos três estágios do ser, a presença de um homem que se escora no outro. Possuindo um vazio existencial aterrador, ele procura na observação do outro, do que o outro possui, do que o outro aparenta, uma forma de saber quem é e como sentir-se pleno. Portanto, para ser ele mesmo, este homem necessita tomar conhecimento do outro, como no mecanismo do desejo mimético, onde este desejo somente se faz possível pela intermediação do que é e deseja um outro.