" CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ "

segunda-feira, 25 de fevereiro de 2013

AS MUDANÇAS NA IGREJA SOB A INFLUÊNCIA DO PAPA



AS MUDANÇAS NA IGREJA SOB A INFLUÊNCIA DO PAPA

A tradição católica traduz no texto do evangelho de Mateus 16,18 que descreve: “Tu és Pedro, e sobre esta pedra edificarei a minha Igreja”, a fundamentação de uma doutrina segundo a qual a hierarquia estruturada da Igreja atual assume o poder como uma instituição criada por Jesus. Esta é uma declaração polêmica. Muitos teólogos e biblistas rebateram esta afirmação, uma vez que Jesus compartilhou com seus discípulos(as) numa comunidade fraterna itinerante com atitude de perdão, de justiça e paz.
As mudanças ocorrem e isto é uma verdade. Não é diferente no mundo da Igreja. Convivemos com os 50 anos do Concílio Ecumênico Vaticano II (1962 - 1965). De lá para cá pouco se cumpriu no que diz respeito aos 16 documentos assinados pelos papas João XXIII e Paulo VI. Depois de João Paulo I e João Paulo II, veio Bento XVI (Joseph Tatizinger, alemão). Sobre o ecumenismo o Concílio decreta em “Promover a restauração da unidade entre todos os cristãos” (Unitatis Redintegratio(UR), 1), reconhecendo “todos que de alguma forma já pertencem ao Povo de Deus (UR,3). Ainda falta muito principalmente no tocante ao diálogo entre as diversas religiões. A Igreja Católica Apostólica Romana não pode continuar com as atitudes da cristandade  do período medieval imperando com as afirmações como detentora da verdade, a única Igreja como caminho de salvação. Neste mesmo documento aconselha que “em tudo cultivem a caridade” (UR,4).
Na América Latina celebramos os 40 anos da Teologia da Libertação que trouxe mudanças no contexto da Igreja ser uma grande comunidade eclesial de base fundamentada na experiência da caminhada do Povo de Deus inspirado no livro do Êxodo e no Evangelho de Jesus Cristo. O exemplo dos primeiros cristão ensina que a Igreja deve ser em comunhão fraterna, na fração do pão e em oração, compartilhando tudo com todos, convivendo em unidade. Vendiam as suas propriedades e seus bens para repartir o dinheiro entre todos, segundo a necessidade de cada um (cf. At 2,42-47).
 Quais os problemas não resolvidos na Igreja Católica no mundo moderno? E o que precisa mudar? Alguns pontos podem ser citados como temas polêmicos que causam impacto no contexto social, a saber: A liturgia da missa ainda é celebrada do mesmo jeito como era nos séculos passados; o celibato é exigido para todos os seminaristas como um critério para ser padre; a formação dos seminaristas e agentes de pastorais é desarticulada do compromisso com os pobres, são orientados para administrar ainda uma paróquia; a infabilidade do papa; a falta de participação feminina nas decisões da Igreja como o direito de celebrar ou até eleger ou ser eleita uma papisa; o homossexualismo dentro da Igreja; o planejamento familiar é orientado pelo catecismo romano e não pela realidade atual da família, considerando pecado os métodos anticonceptivos; o divórcio é outra realidade vista como um pecado e não como uma questão legal; a falta de diálogo inter-religioso e o ecumenismo defendido pelo Concílio Vaticano II ainda estão ano-luz de distância para uma vivência à luz do evangelho de Jesus Cristo. Diante de tudo isto, diz Hans Küng, teólogo suíço, “A Igreja está doente porque vive no século XI”.
A renúncia do papa Bento XVI previsto oficialmente para o dia 28/02/2013, traduz um princípio de mudança em favor de um mundo melhor, tendo em vista os limites de um sacerdote-professor sem condições de resolver as questões supracitadas. A escolha do Sumo Pontífice poderia acontecer no processo democrático pelos membros da Igreja Católica que pelo batismo iniciaram na fé cristã e não somente pelos cardeais. Nós votamos no nosso presidente da república, por que os católicos não podem votar na escolha do papa?
Já chegou o tempo para um novo cristianismo possível de convivência entre as diversas religiões. É preciso entender a responsabilidade coletiva na construção da história humana baseado no Evangelho de Jesus. O Reino de Deus começa no mundo criado por meio da grande Igreja Povo de Deus serva e pobre. A cristandade já passou. Jesus não criou o cristianismo nem fundou uma religião. “O culto a Jesus vai substituindo o seguimento de Jesus” (J. Comblin). A religião é simbólica e doutrinal. O evangelho é vivo, real e social. Exige renúncia ao poder.
 Diante das questões que exigem mudanças na Igreja cabe esta reflexão aqui exposta em favor do Evangelho que vem de Jesus Cristo que sempre defendeu os pobres, os presos, os cegos, os oprimidos... “Quem tem ouvidos, ouça o que o Espírito diz às Igrejas” (Ap 2,7).

*Jonas Serafim, licenciado em Ciências da Religião.
(serafimjonas@yahoo.com.br)





  

Nenhum comentário:

Postar um comentário