" CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ "

terça-feira, 12 de junho de 2012

ANTROPOLOGIA DA RELIGIÃO



A antropologia da religião envolve o estudo das instituições religiosas em relação a outras instituições sociais, e da comparação de crenças e práticas religiosas em diferentes culturas. A antropologia moderna assume que toda religião é criada pela comunidade humana que se prostra diante dela, uma abordagem metodológica que é chamada a idéia de projeção.
Um dos principais problemas na antropologia da religião é a definição da própria religião. Ao mesmo tempo os antropólogos acreditam que certas práticas e crenças religiosas eram mais ou menos universal a todas as culturas, em algum momento do seu desenvolvimento, tais como a crença em espíritos ou fantasmas, o uso de magia como um meio de controlar o supernatural, o uso de adivinhação como um meio de descobrir conhecimento oculto, e os resultados de rituais tal como oração e sacrifício como um meio de influenciar o resultado de vários eventos através de uma agência sobrenatural, às vezes sob a forma de xamanismo ou culto aos antepassados. De acordo com Clifford Geertz, religião é "(1) um sistema de símbolos que atua para (2) estabelecer poderoso, penetrante, e modos de longa duração e motivações nos homens por (3) formulação de concepções de ordem geral da existência e (4) vestindo essas concepções com tal aura de factualidade que (5) os humores e motivações parecem singularmente realistas" (Geertz 1966)[1]. Hoje, o debate de antropólogos, e muitos rejeitam a validade inter-cultural dessas categorias (muitas vezes vê-los como exemplos de primitivismo europeu). Os antropólogos consideraram diversos critérios para a definição de religião – como u.ma crença no sobrenatural ou a confiança de ritual – mas alguns afirmam que estes critérios são universalmente válidos.




FILOSOFIA DA RELIGIÃO
http://pt.wikipedia.org/wiki/Filosofia_da_religi%C3%A3o


SOCIOLOGIA DA RELIGIÃO
http://pt.wikipedia.org/wiki/Sociologia_da_religi%C3%A3o


PSICOLOGIA DA RELIGIÃO
http://pt.wikipedia.org/wiki/Psicologia_da_religi%C3%A3o

http://www.ip.usp.br/portal/index.php?option=com_content&view=article&id=2623%3Alaboratorio-de-psicologia-social-da-religiao-informes&catid=395&Itemid=92&lang=pt


FENOMENOLOGIA DA RELIGIÃO
http://instituto.antropos.com.br/v3/index.php?option=com_content&view=article&id=549&catid=38&Itemid=5



HISTÓRIA DAS RELIGIÕES

A História das Religiões é uma ciência humana para o estudo das religiões, ou melhor conjuntos de práticas e crenças, ritos e mitos. Essa disciplina fez sua aparição em universidades oficiais, na segunda metade do século XIX, no desenvolvimento das ideias seculares , o debate sobre a separação entre a Igreja e o Estado e do desenvolvimento das ciências sociais.


A história das religiões aborda o fenômeno religioso a partir de uma postura não-denominacional, em uma perspectiva histórica, antropológica, mas também, no tempo e no espaço. É neste contexto, estreitamente ligado a outras disciplinas das ciências sociais, a começar com a etnologia, história e filologia. Disciplinas como irmãs, a história das religiões é uma ciência de observação baseada na análise dos dados, bem como a comparação.
Esta disciplina também possui outros nomes, como Ciências da Religião, que vem do alemão Religionswissenschaft, primeiro um conceito cunhado por Friedrich Max Müller, um famoso orientalista, mitologista e estudioso das tradições indo-europeias do século XIX. Na altura, o estudo das religiões parece estar enraizada na romântica romântico. Também encontra-se muitas vezes o termo estudo comparativo das religiões, sobretudo no mundo de fala inglesa.

História

O exercício da história das religiões tem sido sempre comparativo. Em tempos antigos, já desde Heródoto, a civilização grega observava costumes e tradições dos outros povos (os egípcios, persas, judeus). Plutarco, no primeiro século de nossa era, escreveu uma série de obras que poderiam ser chamados mitologia comparativa. Posteriormente, os Padres da Igreja, que irão comparar as diferentes religiões (e para forjar o conceito de paganismo) para explicar o surgimento e a superioridade do Cristianismo. Trata-se dos conceitos descritos neste quadro feito pelos Padres da Igreja (por exemplo, Daylight, imitação ou mal), que servirá para explicar, após a descoberta do novo mundo, o estranho hábito dos índios de se reunir e que se assemelham aos dos pagãos antes do Cristianismo. A comparação será, então, realizada em três níveis [carece de fontes]: o Velho, e os selvagens. Assim, a "História apologética" do dominicano Bartolomeu de las Casas (século XVI) e "As formas hábitos silvestres dos americanos, em comparação com os primeiros dias", do jesuíta Joseph François Lafitau (século XVIII). Estamos ainda em uma apologética. A história das religiões está crescendo a partir do lado do Cristianismo em relação a outras religiões.
No século XIX, no final do processo lançado pela deconfessionalização dos filósofos do Iluminismo, a história da religião vai lentamente se tornar uma verdadeira disciplina científica, livre do jugo da religião, justamente, a fim de melhorar o objeto de estudo. A história das religiões é diferente, em primeiro lugar, das disciplinas teológicas, mesmo que cresça também uma profunda revisão das tradições. Será marcada pela Estudos Orientais e da Pré-História, com Riane Eisler, Margaret Mead, Marija Gimbutas, a descoberta do sânscrito, crítica bíblica (Ernest Renan), a religião pagã (babilônica, egípcia, grega, romana), com Jane Ellen Harrison e Mircea Eliade, mas também e sobretudo pela antropologia anglo-saxônica (Robertson Smith, Edward Tylor, James George Frazer, Merlin Stone) e da escola sociológica francesa (Emile Durkheim, Marcel Mauss, Henri Hubert).
No século XX, a história das religiões será influenciada por abordagens psicológicas (Sigmund Freud, Carl Gustav Jung, Karol Kérény, Melanie Klein), fenomenológica (Rudolf Otto, Mircea Eliade), ou a figura da mitologia comparativa (Joseph Campbell, Georges Dumézil) ou em antropologia social (Claude Lévi-Strauss).
Hoje em dia, muitas associações e organizações incluem especialistas em diferentes campos da história das religiões. Diferentes abordagens, a partir de uma escola para outra ainda são praticadas, mas o exercício da comparação e perspectiva histórico-antropológica são mais frequentemente requeridas [carece de fontes].
RELIGIÃO E ECOLOGIA




Ecologia global e religião
Qual é a importância da religião no contexto do problema ecológico mundial?

Muitos climatologistas estão soando o alarme. As mudanças no clima mundial estão se acelerando de maneira dramática, a uma velocidade muito maior do que antes se assumia. Esse catastrófico aumento foi causado em grande parte pela própria humanidade e somente mediante uma pronta ação poderá ser reduzido rapidamente.

Através do mundo, os problemas ecológicos da extinção de inteiras espécies, a poluição ambiental e a mudança climática, são conectados a problemas sociais como a propagação da pobreza, a fome, as doenças, as migrações, a exploração das mulheres e das crianças e muitos outros. Soluções técnicas contra tudo isso não serão suficientes, por mais importantes que sejam, para mudar alguma coisa.

Seria necessária uma rápida e decisiva mudança de mentalidade tanto no pensamento como no comportamento humano. A questão é criar um mundo que seja socialmente mais responsável, mais limpo e mais saudável. Uma mudança assim tão extensa de entalidade e comportamento inclui também, de modo particular, as idéias religiosas e morais da humanidade.

Isso coloca em cena a religião como um agente importante para se criar um novo modo de pensar. Os princípios éticos e morais das religiões influenciam também o comportamento humano com relação à natureza. Consciente ou inconscientemente, nosso comportamento para com o ambiente e a natureza é baseado na nossa visão de mundo. A visão de mundo que influencia o nosso comportamento para com a criação, é também configurada pela nossa perpectiva religiosa.

Mais ainda, a religião, devido à sua autoridade moral, tem o poder de determinar a imagem que o fiel faz do cosmo, e de modificar o modo como ele interage com a natureza.

A religião não consiste somente na crença transcendental em um ou vários deuses, ou na questão da vida depois da morte. A religião também instrui o comportamento humano em relação ao mundo real, à natureza material e à inteira criação.

P. Johannes B. Freyer, OFM



Pergunta para reflexão:

Como é para você a experiência de contemplar a santidade e bondade de Deus na criação?
Por que não passar alguns momentos agradecendo a Ele e louvando-o por ela?

sexta-feira, 8 de junho de 2012

ÉTICA E RELIGIÃO



A palavra ética é descrita no dicionário como: “parte da filosofia que estuda os deveres do homem para com Deus e a sociedade; ciência da moral.” E o ético como: “relativo aos costumes, moral”.   (...)


Ética nada mais é do que um padrão de normas que devem ser seguidas por todas as pessoas que desejam conviver em sociedade. Muitas vezes essas normas adquirem caráter de lei por meio de sua institucionalização, outras vezes é apenas respeitada por meio de um pacto mútuo não institucionalizado entre as pessoas de uma mesma localidade, buscando assim uma melhor convivência coletiva.

Em geral as religiões não fazem distinção entre o plano ético e o plano religioso. Muitas vezes os costumes e as regras já usadas dentro da tribo são incorporadas dentro da religião que ali surgiu. Sendo essas práticas tão religiosas quanto à própria oração e os sacrifícios.

A religião surgiu quase que como apoio a ética e a disciplina dentro das tradições das antigas civilizações e tribos. Sem um meio legal punitivo, para repreender aqueles que de alguma forma prejudicavam algo ao alguém dentro dos grupos, era necessário apelar a forças divinas que onipresentes, onipotentes e oniscientes poderiam castigar o infrator.

Une-se assim ética e religião em praticamente todas as religiões, para poder desenvolver uma sociedade melhor para se viver para todos os fieis, que fazendo o bem serão recompensados e fazendo o mal serão castigados. Muitas vezes desenvolvem-se até modos como o fiel deve viver, se vestir e se portar diante de outras pessoas.

Segundo afirma Jostein Gaarder sobre o assunto “Não há distinção entre ética e religião. A noção do ser humano como uma criação divina implica que ele é responsável perante Deus por tudo o que faz....”.

Para os hinduístas temos o costume correto, onde segundo eles o ato de fazer é mais importante que o ato de adorar ou acreditar. O fato de agir corretamente é de extrema importância dentro do hinduismo, a maioria dos indianos acredita na força do darma que é uma espécie de lei ou ética comum, o que significa que cada casta tem suas obrigações e afazeres respectivos que devem ser respeitados e cumpridos. A boa moral consiste em adotar os preceitos e deveres de sua própria casta.

Buda para os budistas é um exemplo de ética que deve ser seguido, a compaixão e o amor são centrais em sua filosofia. As ações, os sentimentos e o afeto são de extrema importância, pois a caridade que fazemos não afeta apenas os outros, mas contribui para enobrecer nosso próprio caráter uma vez que no budismo tudo o que fazemos acaba retornando para nós.

O budismo tem também cinco mandamentos de conduta para a vida diária que são sobretudo éticos para uma melhor relação entre as pessoas: 1.não fazer mal a nenhuma criatura viva. 2.não tomar aquilo que não lhe foi dado (não roubar). 3.não se comportar de modo irresponsável nos prazeres sexuais. 4.não falar falsidades. 5.não se entorpecer com álcool ou drogas. Sem contar algumas regras mais estritas que dizem respeito à ostentação.

Uma curiosidade nessas cinco regras de conduta é o fato do budismo não reconhecer nenhum ser superior capaz de dar ordens ou castigar a humanidade caso esses mandamentos sejam desobedecidos. Essas regras não são fundamentadas através da ordem explicita de uma entidade divina que deseja sua realização, mas são formuladas de maneira que o fiel deve por conta própria tentar de domar, e assim tentar coloca-las em prática.

Dentre os Dez Mandamentos recebidos no monte Sinai por Maomé alguns se dedicam a religião e outros a ética, como por exemplo, não matarás, não roubarás, respeitará pai e mãe, não desejarás a mulher do próximo, não levantará falso testemunho são todos referentes a ética e o modo de conviver em grupo sem que haja desentendimentos dentro do mesmo.

Há ainda dentro do judaísmo o Talmud, segundo os judeus Moisés não recebeu apenas no monte Sinais as leis escritas nas tábuas dos dez mandamentos, mas também a “lei falada” que não deveria ser escrita. Mas com o tempo com o medo de que se perdesse essa tradição oral, os judeus resolveram registra-la em escrito, surgindo assim o Talmud, um livro de leis, regras, preceitos morais, comentários e opiniões legais. Este não tornou-se apenas um livros de ensinamentos, mas sim o texto pelos quais os rabinos orientam de forma concreta seus fieis.

No judaísmo não há uma distinção nítida entre a parte ética e a parte religiosa da doutrina. Para os judeus tudo pertence à lei de Deus. Existem 248 ordens afirmativas e 365 proibições, totalizando na fé judaica 613 mandamentos. Além desses inúmeros mandamentos há ainda a força da tradição e dos costumes que em muitos casos por sua força sobre as pessoas assemelha-se a uma lei. Em destaque na ética judaica temos a generosidade, a hospitalidade, a boa vontade para ajudar, a honestidade e o respeito pelos pais. Sendo o principio fundamental “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (levítico 18,18).

Dentro do cristianismo temos a idéia da posição de destaque do ser humano sobre as outras criações de Deus, isso porque ele foi criado a sua imagem e semelhança. Diz-se que Deus criou o homem por amor, a fim de compartilhar o mundo com ele, sendo assim é dever do homem agir segundo o desejo de seu criador. Entretanto foi dado ao homem o dom do livre-arbítrio, onde ele mesmo deve distinguir sobre o que é certo ou errado, sendo o ser humano responsável por suas ações. Esse dom pode levar o homem a ir contra a vontade de Deus e esse feito é chamado de pecado.

O pecado é muito mais do que apenas fazer algo errado, através do pecado podemos nos distanciar de Deus. E esse desvio se dá muitas vezes pelos desvios de ética realizados ou até mesmo pensados e não praticados pelos fieis. Ainda segundo o cristianismo o mal existe de diversas formas, sendo elas humanas ou sobre-humanas (o diabo) sendo necessário que cada pessoa o combata internamente em seu coração, seguindo os mandamentos de Deus. 

Os cristãos interpretam o sermão da montanha de diversas formas, mas relativamente a ética existe a chamada regra de ouro que diz: “Tudo aquilo, portanto, que quereis que os homens vos façam, fazei-o vós a eles, pois esta é a Lei e os Profetas”(Matheus 7,12), tendo o amor como principal meio para se chegar a paz Jesus também disse : “Amarás o teu próximo como a ti mesmo” (Matheus 22,39) sendo esse o mandamento chave da caridade.

Os mulçumanos dentre as suas cinco obrigações religiosas (os cinco pilares) há o que obriga a doação de esmolas para os mais necessitados, a caridade. Essa taxa deve ser retirada dos ricos e doada aos pobres, além de ser usada na libertação de escravos ou na ajuda aos viajantes. No islã não existe a distinção entre a religião e a política, muito menos entre fé e moral. Todas as obrigações dos homens estão estabelecidas no xariá à lei sagrada muçulmana. Ela mostra o caminho certo, a conduta correta que foi ensinada ao homem por Deus e por esse motivo deve ser respeitada. 

O alcorão apresenta-se muito mais do que apenas um livro religioso. Ele é também um livro de leis contendo instruções fixas e rígidas sobre o governo da sociedade, a economia, o casamento, amoral, o status da mulher etc. 

Os muçulmanos também usam como orientação ética o estudo da suna, que são os relatos da vida de Maomé e alguns califas que o sucederam. Para tal utilizam-se da técnica da analogia, que faz uma analise da similaridade de um acontecimento presente com um fato vivido por Maomé, ou utilizam-se do principio do consenso, onde segundo se acredita que os fieis nunca poderiam concordar coletivamente sobre um fato se ele estivesse errado. Ou seja, uma decisão tomada em conjunto pelo povo muçulmano é uma decisão certa e pode ser vista como lei pelos seus representantes.

Pregadores religiosos iniciavam seus debates tratando de assuntos de natureza ética de seu tempo. Nas sociedades onde existiam diversas religiões existiam conflitos para o firmamento de uma determinada visão de ética sobre outra.

Os babilônicos com o código de Hamurabi foram os primeiros a estabelecer um conjunto de leis escritas da história, esse código foi baseado nas tradições sumerianas de reciprocidade.

Os romanos também fundamentaram regras únicas e legais que deveriam servir a todos os povos independentemente de sua religião. Surgiu assim o direito romano, que tinha como base dar direitos iguais para as pessoas independentemente de sua religião. 

As palavras ética e moral, geralmente são usadas como sinônimos, mas na verdade tem significados bastante distintos. Segundo Gaarder a moral se relaciona a ação enquanto a ética é uma espécie de teoria dessa ação. Sendo esses conceitos quase que como teoria (ética) e prática (moral).

Todas as religiões têm uma ética normativa que busca nos mostrar sobre o que é certo e o que é errado para aquela determinada crença. Por exemplo; os Dez Mandamentos são uma ética normativa, onde segundo essa norma ética toda a sociedade a sua volta tem o dever de segui-la para um melhor relacionamento mútuo entre os fieis.

Essa ética é colocada em prática por meio do cotidiano do homem, caso em algum momento ele faça alguma coisa que seja de certo modo errada para sua religião e para os valores desta, ele cometeu um pecado. Caso ninguém tenha visto esse fato e ele se livre da repreensão da sociedade, entra em ação a sua própria consciência que o repreenderá. E ao fim da vida, em algumas crenças ele será julgado e condenado por forças divinas, ou em outras reencarnará em uma casta mais baixa que a atual.

Por fim chegamos a conclusão de que a ética é de fato muito presente no cotidiano das religiões. A religião tem como um dos pilares repreender o homem que causa algum mal a seu semelhante, para diversas crenças os homens devem conviver em harmonia e para tal estabelece-se regras de conduta e convivência para um relacionamento melhor e mais justo para todos os seres humanos.

NOVOS MOVIMENTOS RELIGIOSOS








Os novos movimentos religiosos são grupos religiosos, éticos e espirituais de criação recente que ainda não foram integrados em nenhuma das religiões anteriormente existentes nem foram reconhecidos com a denominação de "Igreja" ou "Corpo religioso".


O termo utilizou-se pela primeira vez na década de 1980 por estudantes, substituindo assim o termo seita, o qual era usado até então para referir-se a esses grupos religiosos, ainda que tenha um significado pejorativo depois dos debates da década de 1970. Alguns estudantes, especialmente de sociologia e teologia, utilizaram o termo "novos movimentos religiosos" para referir-se a qualquer religião não recolhida nas principais correntes religiosas. No entanto, outros utilizavam este termo para se referir às religiões de carácter benigno, enquanto reservavam o termo de seita para outro tipo de grupos de carácter religioso, psicoterapeuta, político e inclusive comercial, que consideravam extremamente manipuladores e exploradores.
Atualmente ainda não terminou o debate académico entre as palavras seita e novo movimento religioso.
Nesta definição, o adjectivo novo utiliza-se tanto no sentido de origem recente como para expressar a sua diferença frente às religiões pré-existentes.
Inclusive na definição "de origem recente" há controvérsia. Alguns autores estabelecem que se utiliza para se referir às religiões surgidas do novo contexto mundial depois da Segunda Guerra Mundial, outros no entanto remontam à Fé Bahá'í do século XIX enquanto outros o fazem a partir da religião sikh do século XVII.
Novo no sentido de diferente "às demais religiões" não apresenta nenhum tipo de discórdia entre os experientes. Alguns autores também consideram grupos que pertencem a uma das religiões reconhecidas, ou se consideram religiões separadas ou não se integram sob a mesma denominação.
Geralmente, as denominações cristãs aparecidas antes do século XIX não se encontram integradas neste grupo de novas "religiões".
Há no entanto outros grupos, catalogados por alguns autores como novas religiões, que não se consideram a si mesmos uma religião.


As novas religiões são muito diferentes quanto às suas crenças, práticas, formas de organização e aceitação social. Alguns autores como Irving Hexham e Karla Poewe propuseram denominar as novas religiões como sub-culturas globais, sobretudo em casos em que um grupo conseguiu integrantes de várias nações.
Em geral o número de pessoas aderentes às novas religiões é muito inferior aos fiéis das grandes religiões. No entanto, as novas religiões ganharam muitos fiéis em locais como África, Japão e Melanésia.
Em África documentou-se o aparecimento de umas 6 mil novas igrejas indígenas desde os anos 60. No Japão surgiram novas religiões baseadas no Xintoísmo e no Budismo, algumas próprias do século XIX durante a dinastia Meiji, e outros a partir do final da Segunda Guerra Mundial.
Ao redor de 25% das religiões do mundo encontram-se na Melanésia, isto é, arquipélagos tais como Papua-Nova Guiné, as Ilhas Salomão, Vanuatu e Fiji. A isto se deve a importância das novas religiões neste importante foco de diversidade cultural.
Na época da sua criação, a maioria das grandes religiões actuais também se consideravam novas religiões. Por exemplo, o Cristianismo foi considerado tanto pelo Judaísmo como pela cultura romana como um sacrilégio às doutrinas existentes. Por sua vez, o Protestantismo considerou-se uma nova religião por cisão da Igreja Católica. Também pode se considerar o Budismo como uma inovação ou reforma do Hinduísmo.

terça-feira, 5 de junho de 2012



                 REVOLUÇÃO COM ESPIRITUALIDADE
                 NA LIBERTAÇÃO DO POVO HEBREU
                                                                                   
                                                                                          Jonas Serafim


A libertação do povo hebreu que viveu sob a opressão do Faraó no Egito (Ex 1,11-14) remonta uma caminhada ao longo da história que nos convida a retomar em nosso contexto uma atitude contra a opressão do capitalismo.
Muitas comunidades, associações e sindicatos se encontram numa resistência semelhante às parteiras que foram obrigadas a matar os meninos hebreus que nascessem para evitar o aumento de um contingente israelita a ponte de confrontar o Faraó. Na verdade, as parteiras resistiram e desobedeceram a ordem do Faraó (Ex 1,15-22). Às vezes, isto não acontece em muitas organizações populares. O poder de um governo manda e desmanda sobre uma sociedade inteira e o que fica é o resultado de uma opressão.
Moisés foi um líder revolucionário que se sustentou na espiritualidade. Hoje é preciso compreender que espiritualidade retome o caráter revolucionário. Moisés saiu de si para o encontro do outro, viu o sentido da irmandade no meio do sofrimento, viu que ninguém fazia nada contra a opressão e reagiu em favor da libertação (Ex 2,11-15). Esta vivência radical de Moisés aconteceu ao lado da espiritualidade quando lemos a realidade percebendo os gemidos que Deus ouviu no clamor dos oprimidos, viu a miséria do seu povo, conheceu a realidade miserável e de angústia, desceu para ficar ao lado dos mais necessitados a fim de libertá-los e fazer subir para uma terra livre e digna de se viver (EX 3,7-10). Foi neste contexto que Moisés se sentiu chamado e enviado para sair de si e ir ao encontro do seu povo que precisava de uma vida livre e fraterna.
Alguns sinais são percebidos quando é chegado à hora da defesa ou ataque. Em nossa sociedade contemporânea o modo de produção capitalista não para de atacar e de se defender. Quanto às comunidades populares é preciso estar bem organizadas para reagirem contra um sistema extremamente desumano. A corrupção, o suborno e o individualismo têm levado alguns pseudos-líderes da base do povo para um patamar mais elevado da sociedade e terminam massacrando o povo de onde tirou proveito para almejar seus próprios interesses e não ao bem-comum da comunidade. Moisés, Aarão, Josué e Calebe souberam compreender os sinais do seu tempo, mas o Faraó não (Ex 7 – 11; Nm 13).
O confronto com o poder opressor começa com um processo de negociação. Quando não existe mais diálogo para negociar a realidade muda e a situação exige unidade. Se houver unidade permanente haverá vitória. É um trabalho de formiga, exige paciência e vigor. Os israelitas passaram 430 anos sob o domínio egípcio (Ex 12,37-42). No decorrer do tempo aprenderam a lutar para viver dignamente e em comunidade. Organizaram lideranças combatendo a centralização do poder (Ex 18,13-27).
A caminhada de libertação passa pela aprendizagem do deserto dos sofrimentos com o outro, e é o que conduz para uma aliança fraterna. Aqui jaz nossa mensagem e manifesto.