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segunda-feira, 18 de outubro de 2010

DEUS E A ECOLOGIA: O SAGRADO NA NATUREZA



DEUS E A ECOLOGIA: 


O SAGRADO NA NATUREZA



"GAIA SAGRADA”:AS RELAÇÕES ENTRE ECOLOGIA, FEMINISMO E CRISTIANISMO



Os homens estão sujeitos a Deus; as mulheres, aos homens; os animais, a ambos. Os efeitos disso são as “mudanças climáticas”. “Eles também exigem uma mudança no clima religioso”, defende a teóloga inglesa Anne Primavesi

Por: Moisés Sbardelotto | Tradução Luís Marcos Sander

“Uma valorização gaiana da criação vê as coisas como elas realmente são, como todos os seres vivos dependem uns dos outros tanto no tocante à possibilidade da vida quanto à sua qualidade”, afirma Primavesi. Por isso, na teologia coevolutiva, cada organismo é valorizado pelo que é em si mesmo. Porém, a partir de uma perspectiva ecofeminista, a teóloga reconhece que “as mulheres e a natureza têm sido tradicionalmente rebaixadas e ignoradas numa concepção hierárquica do mundo”. A partir dessa concepção, “todos os seres não humanos podem ser usados e abusados para esse fim”, afirma ela, em entrevista gentilmente concedida por e-mail à IHU On-Line, em um delicado período de recuperação pós-operatório. “Nós agora temos de lidar com os efeitos do patriarcado e da desvalorização religiosa dos ‘corpos’ não só sobre as mulheres, crianças e povos indígenas, mas também sobre o corpo da Terra”. Isso exige uma “mudança no clima religioso”, defende. Nesse sentido, como resposta a uma das perguntas desta entrevista, Primavesi enviou à IHU On-Line, com exclusividade, seu “Manifesto pelo Ecofeminismo”, que aqui publicamos pela primeira vez em português.
Anne Primavesi é teóloga inglesa, doutora em teologia sistemática, especializada em questões ecológicas. Membro do Centro de Estudos Interdisciplinares da Religião, do Birkbeck College, University of London, já lecionou na Bristol University. É autora de vários livros, incluindo Sacred Gaia (2000), Gaia's Gift: Earth, Ourselves and God after Copernicus (2003) e Gaia and Climate Change: a Theology of Gift Events (2009). Em português, publicou Do Apocalipse ao Gênesis: Ecologia, Feminismo e Cristianismo (Paulinas, 1996). Após conhecer o cientista James Lovelock, criador da Teoria de Gaia, Primavesi colaborou com ele no primeiro curso do Schumacher College sobre a Teoria de Gaia, em 1991.

Confira a entrevista.
IHU On-Line – Em seu livro Sacred Gaia (sem tradução para o português), a senhora discute a teologia a partir de uma perspectiva coevolutiva. A que se refere?
Anne Primavesi – A teologia tradicional classifica tudo numa hierarquia de importância, sendo que a parte superior dela está mais próxima de Deus, e a inferior, mais distante. Uma perspectiva coevolutiva surge de uma compreensão mais profunda e de uma valorização da forma como todos os seres vivos vêm a existir e mantêm sua existência através de uma interligação e interdependência ineludível.
 Na teologia coevolutiva:
• cada organismo é valorizado pelo que é em si mesmo;
• o valor de cada organismo “importa” em relação ao todo;
• cada entidade é um ser singular e, por conseguinte, essencialmente inclassificável em graus;
• o valor intrínseco de cada uma se baseia na gratuidade do amor de Deus por ela;
• cada uma está presente e vívida na memória de Deus;
• o valor das criaturas não humanas não reside na forma como contribuem para a qualidade da vida humana; cada uma tem direito à sua própria qualidade de vida;
Como diz o poema, “eu pedi que a árvore me falasse sobre Deus, e ela floresceu”.
IHU On-Line – Ao analisar a relação entre as mulheres e a ecologia, a senhora apresenta as ideias de uma ordem hierárquica e de uma ordem “Gaiana”. Qual é a contribuição do feminino para o cuidado da Criação?
Anne Primavesi – Ao longo das últimas décadas, as ecofeministas expressaram claramente como as mulheres e a natureza têm sido tradicionalmente associadas ao serem rebaixadas e ignoradas numa concepção hierárquica do mundo. Nessa concepção, os homens estão sujeitos a Deus, as mulheres sujeitas aos homens, os animais sujeitos a ambos, e a própria terra é, simplesmente, o lugar onde nós, seres humanos, realizamos nossa salvação e esperamos o céu. Numa concepção hierárquica, todos os seres não humanos podem ser usados e abusados para esse fim. Esse ordenamento hierárquico valida, conscientemente ou não, relações violentas. Uma valorização gaiana da criação vê as coisas como elas realmente são, como todos os seres vivos dependem uns dos outros tanto no tocante à possibilidade da vida quanto à sua qualidade. Rotineiramente, talvez não estejamos conscientes do presentear essencial por parte dos muitos seres que possibilitam que nós tenhamos vida. Mas uma consciência mais profunda desse presentear nos refreará para não cometermos excessos de egoísmo e violência que prejudicam a terra, que é o lar de todos os seres vivos.
IHU On-Line – Qual é o impacto das mudanças climáticas sobre a fé e a prática das nossas igrejas hoje? Qual é o papel dos cristãos nesse contexto específico?
Anne Primavesi – A ciência que forma nossa compreensão da mudança climática mostra quão profundamente a humanidade afetou o equilíbrio da vida na terra. Além da perda da biodiversidade, ela adverte que a sobrevivência da própria humanidade corre risco. Isso desafia o pensamento e a prática das igrejas.
Em termos de pensamento, temos de aprender a:
• nos ver e expressar como parte de toda a comunidade da vida na terra;
• ver e tratar a terra como um lar;
• aprender e demonstrar compaixão e respeito por todas as criaturas;
• em encontros litúrgicos, responder com um agradecimento formal, gratidão e respeito pelas dádivas que nos são dadas por todos os seres vivos e tornam possível nossa vida.
Em termos de prática, temos de aprender a:
• descobrir e responder ao valor intrínseco de toda a Criação;
• resistir ao imperialismo, consumismo, colonialismo e violência em nosso pensamento;
• aprender a humildade ecológica, um reconhecimento de nossa dependência do trabalho das muitas criaturas não humanas que mantêm limpo o ar, potável a água e nos fornecem os alimentos que comemos.
IHU On-Line – Em sua opinião, por trás da crise climática, há também uma crise ética e espiritual? Perdemos a nossa capacidade de conviver com os demais seres vivos da Criação?
Anne Primavesi – Não podemos separar o espiritual do ético, ou o social do ecológico. Só podemos fazer essas separações na linguagem, não na realidade. Como pessoa, eu ajo a partir da totalidade de meu ser. As tarefas são as seguintes:
• falar sobre nós mesmas de maneiras que não pressuponham que essa espécie de separação linguística descreva as coisas assim como elas são;
• mediar entre as ideias e a ação, o abstrato e o real.
Por exemplo, quando comemos, não deveríamos simplesmente abençoar a comida. Deveríamos reconhecer que a comida abençoa a nós e responder dando graças por isso. Antes de agradecer a Deus pela comida, deveríamos identificar e estar conscientes daqueles e daquelas cujo trabalho e cuja vida tornam possível que comamos agora e agradecer a eles e elas. E isso não apenas em palavras, mas na forma como vivemos, esperando que eles e elas tenham espaço para vicejar e não os/as considerando simplesmente meios para nossos próprios fins humanos.
IHU On-Line – O “Tempo para a Criação” de 2010 está relacionado com a campanha 10:10:10, que será o dia com o maior número de ações positivas contra as ações climáticas. A partir de que motivações teológicas ou bíblicas essa relação entre fé e ecologia pode crescer ainda mais?
Anne Primavesi – Essas coisas devem ser descobertas e expressas por cada pessoa e cada comunidade. Espero ter notícias das formas de fazer isso que vocês venham a criar durante esse período! O que vocês nos disserem sobre o que encontraram será o presente que darão a todas e todos nós.
Penso que o Manifesto pelo Ecofeminismo  poderá ajudar nesse sentido.

TRADIÇÃO DA ANCESTRALIDADE AFRICANA

      Em muitas sociedades africanas o veneração ancestral é um dos princípios tradicionalmente central e básico  mesmo  nos cultos contemporâneos.
O culto ancestral africano é enraizado profundamente no mundo tradicional africano.
Dinamismo e vitalismo, compreendido de uma maneira existencial, concreta e afetiva e de aproximação.  A realidade é vista e julgada especialmente em seus aspectos dinâmicos relacionados próximos à vida, o mais real e valioso concedido para cada ser. Dando a ênfase a fecundidade,  a vida  e a identificação entre o ser e o poder ou força vital.
Certamente, o ideal africano dessa cultura é a coexistência de uma existência de uma força vital relacionada com o mundo e o universo. Sobretudo as forças do Deus, que dá a existência e o aumento do poder a todos. Vêm em seguida os mortos, que são dotados com poderes especiais, que vivem uma hierarquia de acordo com seu poder. As maneiras diferentes de ser são distinguidas por suas modalidades e grau de participação de força suprema (deus) e em forças superiores de outros seres “espirituais”
A força, a alma, a vida e a palavra são conectadas próximas um com o outro. A palavra é o princípio da vida, excelência vital do par da força (da força do nome, do ritual, da palavra e do mito). Em algum sentido tudo é participação, porque é a mesma força que anima o universo inteiro; e é normal que essa força  age em tudo.

SOLIDARIEDADE (RELACIONAMENTO), TOTALIDADE  E  PARTICIPAÇÃO

O africano representa não somente em sua mente o objeto de seu conhecimento, mas participa nele em uma forma representativa, mas simultaneamente no sentido físico e místico do mundo, como pode ser observado especialmente nos rituais.
 A conexão entre a causa (super natural) e o efeito é imediato; as causas secundárias não são admitidas nem não são consideradas insignificantes. O Deus está, na análise final, atrás de todos os respiradouros no mundo. É a fonte da vida e o poder em que todos participam e, é a fundação do solidário, totalitário, e da participação dos seres humanos e cósmica. Esta visão totalizando, se manifesta pela assimilação do indivíduo no grupo, e pela ausência da diferenciação bem definida entre as várias funções sociais (econômico, jurídica, política, religiosa).
O poder da tradição é conectado com a duração cíclica, repetição ritual, gerontocracia (governo por homens velhos), nos culto dos antepassados, nos ritos de iniciação
O africano não fica satisfeito meramente só por viver no mundo e só experimentar seu ritmo cotidiano de vida, mas deseja sempre também interpretar o simbolismo de todas as coisas criadas, e participar ativamente em plena comunhão com todas elas. O mundo é e existe para o ser humano, se ele tiver o contato diário com ele, dos mistério, dos sinais e mensagens: tudo tem que  ser interpretado.
O que é também proeminente nesta “maneira incorporada de pensar” é uma forte vivência de vida na comunidade, expressado pela participação na vida em comum, em que o indivíduo é introduzido por vários ritos de iniciação. Isto esclarece o sentido profundo de família mostrada pela ligação com os antepassados.
Está sempre conectado muito próximo com a família e a comunidade  e com um grande respeito mostrado ao chefe da família e de outros membros de autoridades em comum. Em muitos casos todos os membros de um clã têm relacionamento místico em especial a um totem (divinizado, orisa) em comum, com que o nome do clã está associado.
Há um sentimento marcado pelo sagrado, compreendido como o “tremendum et o fascinosum”(tremendo e fascinação), e é manifestada essa característica, nos ritos da iniciação que compreendem, entre outras coisas, como um retorno à época sagrada dos antepassados, nos heróis da cultura, nos fundadores e nos arquétipos.
O mundo  é conectado com o mundo pós morte, e vive sempre em  contato próximo com seu antepassados e outros espíritos. Em conseqüência, isso mostra que a tradição africana é caracterizada profundamente por um comportamento mágico-religioso.
A sociedade e a religião são centradas no homem e em seu bem-estar (bem estar, segurança, proteção.
A dignidade humana é respeitada altamente, e o homem tem um lugar privilegiado no universo; interpreta o cosmos nos termos da organização humana. O mundo, fonte eminente da vida, é dado ao homem o poder de reforçar para fazer-lhe mais vida.
O interesse do Deus parece ser baseado principalmente em suas prontidão e capacidade ajudar ao homem em seus interesses terrestres.
O CULTO DOS ANTEPASSADOS
Culto dos Ancestrais
Não há nenhum sistema uniforme da opinião e das práticas deste culto na África.Mas o fato, se encontra nas diferenças de detalhes mesmo no mesmo grupo étnico. Além disso, a veneração ancestral que será descrito aqui não é encontrado em cada comunidade tradicional africana. Não obstante o culto pertence à maioria dos povos. Adicionalmente, apesar das diferenças, há muitos elementos compartilhados em comum por muitas sociedades étnicas.
A veneração ancestral está ligada intimamente na maioria  com a África tradicional. Compreendido como o poder sagrado (força vital), entendido com um elemento central. Este ideal é um das motivações básicas do culto ancestral. Isso porque em muitas sociedades africanas o status ancestral é ligado intimamente com a fecundidade e procriação. Em algumas (mas de nenhuma maneira todas as) comunidades, uma pessoa sem prole não pode transformar-se um antepassado.
Há mesmo os casos onde se acredita que nomear um descendente pelo nome de seu antepassado é possível que o antepassado continue a viver em seu descendente. A opinião é difundida, que o antepassado continuará a sobreviver e nessa circunstância que não será esquecido, isto é, seus descendentes se comunicarão regularmente com ele e oferecer rituais.Bem por isso, o africano costuma  ter muitos filhos que o recordarão e se comunicarão ritualmente com ele.
Um antepassado, por sua parte dá grandes benefícios para seus parentes vivos tais como: a saúde, a vida longa, sorte, prosperidade e bons filhos.
Ninguém pode ser um antepassado de um indivíduo que não lhe seja relacionado ao familiar – sangüíneo. É por esta razão que os rituais para os mortos sem nenhuma referência particular sanguínea, são considerados geralmente como não pertencendo ao culto ancestral.
Embora haja casos onde o relacionamento ancestral não é fundado em laços da família (por exemplo: quando tal relacionamento de uma em sociedade comum - religiosa ou secreta), contudo tal relacionamento raramente - vai além dos limites tribais.
É óbvio que o africano manifesta uma forte da tendência dialética em sua atitude para seus antepassados, a saber: de medo, mas também com uma atração para com eles. Como pode ser visto na descrição acima há umas várias razões de tal atitude ambivalente. Entre tais razões, o sentido do sagrado dos antepassados deve também ser incluído.
Ninguém pode alcançar o status ancestral sem ter tido uma vida moral boa, de acordo com padrões morais africanos tradicionais. Para ser um antepassado é preciso ser considerado como um modelo ou um exemplar de conduta na comunidade, e como a fonte da tradição tribal e da sua estabilidade.
Texto Traduzido e Adaptado por Ifatolà  
Ifatola

domingo, 17 de outubro de 2010

DENTRO DO SER (poema)

                     DENTRO  DO  SER




     Além da exosfera,
espaço cósmico sem ar,
se estende o pensamento sem medida,
vislumbra algo que se espera,
expande no infinito solar,
busca os mistérios da vida,
procura tão longe o que dentro do ser impera.


     Escondido no próprio ser
está o que tanto procura
o Ser Superior e eterno,
imortal espírito que tudo vê,
o princípio que fecunda,
o bem, a verdade, o belo,
o sentido que faz crer.

FÉ E VIDA

 

A FÉ  EXIGE  COMPROMISSO  SOCIAL 

  

Alegoria da , por L.S. Carmona(175253). O véu simboliza a impossibilidade de conhecer directamente as evidências.
 (do Latim fides, fidelidade e do Grego pistia ) é a firme convicção de que algo é verdade, sem qualquer tipo de prova ou critério objetivo de verificação, pela absoluta confiança que depositamos nesta idéia ou fonte de transmissão.
A  como qualquer manifestação de convicção acompanha absoluta abstinência à dúvida pelo antagonismo inerente à natureza destes fenômenos psicológicos e lógica conceitual. Ou seja, sendo a fé uma forma de convicção, é impossível duvidar e ter fé ao mesmo tempo. A expressão se relaciona semanticamente com os verbos crer, acreditar, confiar e apostar, embora estes três últimos não necessariamente exprimam o sentimento de fé, posto que podem embutir dúvida parcial como reconhecimento de um possível engano, porém, de relevância pouco conveniente numa certa situação, por exemplo: Um apostador numa casa de jogos tem conciência de que pode perder, mas realiza a aposta mesmo assim pois considera o risco pouco crítico, seja pelo possível prejuízo pouco significativo, pela possível recompensa altamente justificável ou uma junção ponderada dos dois fatores... Em outras palavras "Porque vale a pena arriscar". Da mesma foram é possível confiar, ou acreditar, em alguém sem ter certeza absoluta do retorno por falta de opção, como num pagamento de resgate mediante o sequestro de um familiar.
É possível nutrir um sentimento de fé em relação a um pessoa, um objeto inanimado, uma ideologia, um pensamento filosófico, um sistema qualquer, um conjunto de regras, um paradigma popular social e historicamente instituido, uma base de propostas ou dogmas de uma determinada religião. Tal sentimento não se sustenta em evidências, provas ou entendimento racional (ainda que este último critério seja amplamente discutido dentro da epistemologia e possa se refletir em sofismos ou falácias que o justifiquem de modo ilusório) e, portanto, alegações baseadas em fé não são reconhecidas pela comunidade científica como parâmetro legítimo de reconhecimento ou avaliação daverdade de um postulado. É geralmente associada a experiências pessoais e herança cultural podendo ser compartilhada com outros através de relatos, principalmente (mas não exclusivamente) no contexto religioso, e usada frequentemente como justificativa para a própria crença em que se tem fé, o que caracteriza raciocínio circular, ou até um pleonasmo, posto que acreditar ou ter fé são expressões que designam um mesmo sentimento. Ou seja, "acreditar por fé" significa "acreditar por acreditar".
A fé se manifesta de várias maneiras e pode estar vinculada a questões emocionais (tais como reconforto em momentos de aflição desprovidos de sinais de futura melhora, relacionando-se com esperança) e a motivos considerados moralmente nobres ou estritamente pessoais e egoístas. Pode estar direcionada a alguma razão específica (que a justifique) ou mesmo existir sem razão definida. E, como mencionado anteriormente, também não carece absolutamente de qualquer tipo de argumento racional.

Contexto religioso


Triunfo da Fé sobre a Idolatria. Jean-Baptiste Théodon (1646–1713)
No contexto religioso, "fé" tem muitos significados. Às vezes quer dizer lealdade a determinada religião. Nesse sentido, podemos, por exemplo, falar da "fé católica" ou da "fé islâmica".
Para religiões que se baseiam em crenças, a fé também quer dizer que alguém aceita as visões dessa religião como verdadeiras. Para religiões que não se baseiam em credos, por outro lado, significa que alguém é leal para com uma determinada comunidade religiosa.
Algumas vezes, fé significa compromisso numa relação com Deus. Nesse caso, a palavra é usada no sentido de fidelidade. Tal compromisso não precisa ser cego ou submisso e pode ser baseado em evidências de carácter pessoal. Outras vezes esse compromisso pode ser forçado, ou seja, imposto por uma determinada comunidade ou pela família do indivíduo, por exemplo.
Para muitos judeus, por exemplo, o Talmud mostra um compromisso cauteloso entre Deus e os israelitas. Para muitas pessoas, a fé, ou falta dela, é uma parte importante das suas identidades.
Muitos religiosos racionalistas, assim como pessoas não-religiosas, criticam a fé, apontando-a como irracional. Para eles, o credo deve ser restrito ao que é directamente demonstrado por lógica ou evidência, tornando inapropriado o uso da fé como um bom guia. Apesar das críticas, seu uso como justificativa é bastante comum em discussões religiosas, principalmente quando o crente esgota todas as explicações racionais para sustentar a sua crença. Nesse sentido, geralmente as pessoas racionais acabam aceitando-a como justificativa válida e honrosa, provavelmente devido ao uso da palavra ser bastante impreciso, e geralmente associado a uma boa atitude ou qualidade positiva.
Permanece um ponto merecedor de discussão saber se alguém deve ou não usá-la como guia para tomar decisões, já que essas decisões seriam totalmente independentes das de outras pessoas e muitas vezes contrárias às delas, gerando consequências potencialmente danosas para o indivíduo e para a sociedade de que faz parte. Um exemplo de consequências danosas, curiosamente também fornecido por pessoas que aceitam o uso da fé (em seus casos particulares), são os ataques terroristas, onde a suposição de que a fé é um motivo válido para a crença e a admissão de que o terrorista pode alegar a fé como justificativa do atentado deixa patente a gravidade do problema.