" CONHECEREIS A VERDADE E A VERDADE VOS LIBERTARÁ "

sábado, 21 de agosto de 2010

LIBERDADE RELIGIOSA

Liberdade religiosa, in-tolerância religiosa



Rev. Israel Cardoso *

Adital -

Fala-se muito em liberdade religiosa. A nossa Constituição no artigo 5º, inciso VI diz que "é inviolável a liberdade de consciência e de crença, sendo assegurado o livre exercício dos cultos religiosos e garantida, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e suas liturgias". A Declaração Universal dos Direitos humanos, também afirma que a Liberdade religiosa é um dos direitos fundamentais. A pesar de o Estado Brasileiro ser laico, essa não é a impressão que temos às vezes, pois, uma boa parte dos feriados nacionais e municipais são na verdade feriados religiosos cristãos. Sei que os que crêem na autenticidade desses feriados com certeza vão querer dar uma fundamentação histórica para defender seus interesses religiosos ou políticos. Uma coisa é o rastro da religião deixado por conseqüência da colonização, outra coisa é o preconceito e intolerância religiosa visibilizados em nossa sociedade no dia a dia. É comum vermos no interior de órgãos públicos um crucifixo na parede, uma imagem de Maria ou uma Bíblia em um lugar de destaque. O Estado Brasileiro é laico, ele não deve ter, e não tem religião. Hospitais, por exemplo, já são equipados com capela "cristã" para prestarem assistência religiosa; muitos se aproveitam desse momento de fragilidade dos doentes e seus familiares para lhes convencerem a sair da sua religião e virem para a "verdadeira". Não é difícil vermos também celebrações ecumênicas que na maioria das vezes são dirigidas apenas por padres e/ou pastores. É comum presenciarmos em praças públicas, paradas de ônibus, ou mesmo dentro dos ônibus, alguém empunhando uma Bíblia como se fosse uma metralhadora, pregando um "evangelho" com palavras agressivas, apelativas, demonizantes; condenando ao inferno quem não crer como ele/ela. Isso é liberdade religiosa ou abuso da liberdade religiosa? 
Se vivemos em um Estado Laico, por que no lugar do crucifixo não se coloca também, por exemplo, uma imagem de Buda, uma foto de Maomé, uma imagem de uma Divindade africana, um símbolo Bah’ai, uma imagem de Krishna, etc.? Por que no aniversário de emancipação de uma cidade, no lugar de um culto católico e/ou evangélico, não se faz uma mística macro-religiosa com a presença de sacerdotes cristãos e não cristãos? Esses últimos são indignos? Não são filhos de Deus? Eu não creio assim! Já pensaram se uma Yalorixá (Mãe de santo) entrasse em um ônibus e começasse a falar sobre a influência dos orixás na vida das pessoas, pedindo que os passageiros seguissem tal religião? Como os passageiros cristãos agiriam? Creio que no mínimo ela seria "convidada" a descer do ônibus ou parar de falar. Muitos cristãos ainda hoje se auto-afirmam donos da verdade. Exterminaram índios e negros, mataram bruxas, maçons, etc. e ainda hoje, condenam ao inferno os homossexuais, divorciados, muçulmanos, Espíritas etc. A pesar de tudo isso, ainda falam de Paz do Senhor. Creio que os cristãos precisam muito aprender sobre paz e tolerância religiosa com religiões como o Budismo, o Candomblé, a Fé Bah’ai, o Induísmo, o Kardecismo etc. Esses têm muito a nos ensinar sobre tolerância religiosa; pois boa parte deles têm sido vítimas de intolerância por parte dos cristãos sem revidar os ataques. Não pode haver uma cultura de paz, sem tolerância religiosa. Precisamos cada vez mais tirar as vendas do preconceito religioso e da intolerância religiosa, só assim, poderemos ver Deus nos outros. A grande questão é que a "Igreja de Cristo" está bem distante d’Ele e do seu projeto de vida. Ela prefere se basear em Dogmas que ela mesma criou, prefere ser fundamentalista na interpretação literal dos textos bíblicos, ao invés de se fundamentar no amor universal do Ser absoluto que é Pai, Mãe e irmão de todos e todas.
"Ninguém, nasce odiando outra pessoa pela cor de sua pele, por sua origem ou ainda por sua religião. Para odiar, as pessoas precisam aprender; e, se podem aprender a odiar, podem ser ensinadas a amar." (Nelson Mandela).











PLURALISMO RELIGIOSO

Pluralismo Religioso

A sociedade brasileira é hoje fortemente marcada pelo pluralismo religioso. Este pluralismo acentuou-se muito nos últimos anos, tanto no plano quantitativo quanto na variedade das formas.
A porcentagem dos que se declaram católicos tem diminuído nos últimos trinta anos. O Censo de 1970 contava 91,77% de católicos e o último Censo 73,3% em nível nacional.(Rio de Janeiro, 59,3%; São Paulo, 65,2%; Salvador, 65,3%; e Ceará 81%).
Hoje, o sincretismo religioso aumentou de uma maneira impressionante. Há muitos brasileiros com dupla ou tríplice pertença religiosa ou que transitam com facilidade de uma religião a outra, ou ainda constroem sua própria visão religiosa com elementos de diversas procedências. Não dispomos de dados seguros sobre a assiduidade à prática religiosa, embora sabendo que é bastante diversificada. O pluralismo religioso é maior nas grandes cidades e, mais especificamente, na parte periférica dessas cidades.
As causas da situação atual encontram-se, de um lado, no impacto da modernidade, com o processo de desagregação e desenraizamento da cultura tradicional, uma acelerada urbanização, contínuas migrações, agressiva atividade missionária por palie de algumas igrejas cristãs c por parte das seitas etc. Por outro lado encontra-se a história do catolicismo brasileiro, em grande parte constituída por devoções aos santos, transmitidas de geração em geração no ambiente rural e nas famílias, mas pouco assistidas pastoralmente por um clero escasso e mal distribuído. Isso trouxe como conseqüência a falta de uma iniciação cristã e de ligação estável e consciente do povo com os sacramentos e com a instituição eclesial. Compreende-se, assim, porque muitos Católicos não receberam claramente o primeiro anúncio de Jesus Cristo, nem passaram pelo processo de crescimento e amadurecimento pessoal na fé, através de uma verdadeira experiência catequética.
Hoje, não é de se estranhar que esses católicos não sintam uma vinculação atual com a Igreja e sejam atraídos por outras religiões, agora que mudaram as condições culturais, em especial pela acelerada urbanização.
No último Censo um terço dos católicos declararam que participaram assiduamente da vida da Igreja. Este é o contingente dos leigos mais conscientes, que assumiram a renovação conciliar com a aceleração do processo de modernização de nossa sociedade. A grande porcentagem dos que estão desligados de qualquer prática religiosa católica coincide com o expressivo número dos que têm enfraquecido os laços religiosos tradicionais. Não se identificam mais com suas devoções antigas, nem aderiram á nova orientação da Igreja. A maioria dos católicos, porém, ainda não participa da vida da Igreja e, mais sério, nem é a1cançada pela atual ação evangelizadora. (oportuno lembrar aqui que há somente um padre para cerca de 7.800 Católicos). Portanto, a evangelização precisa da multiplicação das vocações sacerdotais, religiosos (as), e da atuação dos leigos.
Durante os últimos trinta anos muitos Católicos procuraram outras religiões. A procura aconteceu em duas direções opostas: a do fundamentalismo e a do subjetivismo. No primeiro caso, o fiel acreditou que a Igreja não conservou a fé em sua pureza e buscou uma comunidade que julgou ter redescoberto as origens ou os fundamentos do cristianismo Nela se faz uma leitura literal da Bíblia e nunca se discute a interpretação dada pelo líder ou pastor.
O subjetivismo aumentou o número de católicos que interpretam a seu modo a tradição católica, seja aceitando seus dogmas como referência, mas abandonando a participação no culto, seja misturando-a com elementos de outras religiões, seja descaracterizando parte dos seus conteúdos. O subjetivismo ético deixa uma liberdade ilimitada de opções para cada indivíduo, que podem agir de acordo com os próprios interesses e gostos, criando-se a mentalidade segundo a qual vale tudo.
Há finalmente as "igrejas eletrônicas" que, pela presença constante na TV e programas religiosos de grande popularidade, levam muitos católicos da Igreja. Os programas dirigidos às grandes massas tendem a apelar aos sentimentos religiosos elementares, comuns a todos e, geralmente, não insistem nos aspectos doutrinais para não afastar o público. Prometem curas e milagres de toda espécie e tendem a espetacularizar e a banalizar a religião, nivelando-a com entretenimentos televisivos de todo tipo.
Nas diversas esferas da vida política, econômica, cultural, bem como nas mais diferentes profissões comprova-se um relativismo ético, que chega, até, a determinar em grande parte os relacionamentos afetivos e familiares. Nesse horizonte, as pessoas não dispõem mais de pontos de referência para orientar a própria conduta e, neste caso, sua conduta religiosa. É tarefa da Igreja católica dar a devida ênfase à questão ética, indicando seus verdadeiros fundamentos. A "ditadura do relativismo", da qual fala Bento XVI, é conseqüência direta da negação da verdade em sentido objetivo e transcendente (Veritatis esplendor, nº 99). A dignidade e a consciência moral consistem no conhecimento e na obediência à lei de Deus, inscrita no coração da pessoa humana (GS, n. 16). A Igreja de Cristo é Una, Santa, Católica e Apostólica.
A unidade vivida na Igreja Católica leva-nos a buscar com perseverança e confiança, na graça do Pai, a comunhão de todos os que crêem em Cristo, Filho ele Deus e Único Salvador, que, porém, vivem a Fé em Cristo e em seu Evangelho, na pluralidade de interpretações da fé e outras experiências culturais assimiladas ao longo ela História. O desejo explícito de Cristo: "Tenho outras ovelhas que não estão neste curral. Eu preciso trazer essas também, e elas ouvirão a minha voz. Então elas se tornarão um só rebanho -com um só pastor" (Jo 10,16) é a busca da Unidade, obra do Espírito. Isso nos leva também a preocupar-nos seriamente com os católicos que estão saindo do curral de Cristo. Temos que nos perguntar por que há este atual êxodo de fiéis da Igreja Católica, a única fundada pelo próprio Cristo, para outras denominações cristãs e não-cristãs. A Santa Sé nos oferece alguns excelentes documentos para nos orientar neste sentido: A carta Encíclica "Ut Unum Sint", o Decreto "Unitatis Redintegratio" e "Nostra Aetate" do Vaticano II, do Conselho Pontifício para a Promoção da Unidade dos Cristãos nós temos: “Diretório para a aplicação dos princípios e normas sobre o ecumenismo", "A dimensão ecumênica na formação dos que trabalham no ministério pastoral", "Diálogo Católico-Pentecostais" etc. Entre os Estudos da CNBB podemos indicar "A Igreja Católica diante do Pluralismo Religioso no Brasil", números 62, 69 e 71.
Pe. Brendan Coleman
06/12/2005
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VÍDEO SOBRE O PLURALISMO RELIGIOSO

http://www.youtube.com/watch?v=tqo4ghfebzI


MITO E RELIGIÃO

          Alguns especialistas, como Mircea Eliade, estudioso de história comparada das religiões, atribuem importância especial ao contexto religioso do mito. Com efeito, são muito freqüentes os mitos que versam sobre a origem dos deuses e do mundo (chamados, respectivamente, mitos teogônicos e cosmogônicos), dos homens, de determinados ritos religiosos, de preceitos morais, tabus, pecados e redenção. Em certas religiões, os mitos formam um corpo doutrinal e estão estreitamente relacionados com os rituais religiosos -- o que levou alguns autores a considerar que a origem e a função dos mitos é explicar os rituais religiosos. Mas tal hipótese não foi universalmente aceita, por não esclarecer a formação dos rituais e porque existem mitos que não correspondem a um ritual.  
          Nas religiões monoteístas, as mitologias, sobretudo as teogonias, são geralmente repudiadas como exemplos de ateísmo ou politeísmo, pois representariam uma desvirtuação do Deus único e transcendente, à medida que o relacionam a manifestações ou representações de outras criaturas. Entretanto, essas mesmas religiões também recorrem a descrições fantásticas, de caráter simbólico, para explicar a origem do mundo e do pecado, o fim do mundo e a vida ultraterrena, e não deixam de atribuir a Deus reações e sentimentos humanos.  
          O mito, portanto, é uma linguagem apropriada para a religião. Isso não significa que a religião, tampouco o mito, conte uma história falsa, mas que ambos traduzem numa linguagem plástica (isto é, em descrições e narrações) uma realidade que transcende o senso comum e a racionalidade humana e que, portanto, não cabe em meros conceitos analíticos. Não importa, do ponto de vista do estudo da mitologia e da religião, que Prometeu não tenha sido realmente acorrentado a um rochedo com um abutre a comer-lhe as entranhas, nem que Deus não tenha criado o ser humano a partir do barro. Religião e mito diferem, não quanto à verdade ou falsidade daquilo que narram, mas quanto ao tipo de mensagem que transmitem. 
          A mensagem religiosa geralmente exige determinado comportamento perante Deus, o sagrado e os homens, e é, muitas vezes, formulada de forma compatível com conceitos racionais e em doutrinas sistematizadas. O mito abrange maior amplitude de mensagens, desde atitudes antropológicas muito imprecisas, até conteúdos religiosos, pré-científicos, tribais, folclóricos ou simplesmente anedóticos, que são aceitos e formulados de modo menos consciente e deliberado, mais espontâneo, sem considerações críticas.




VÍDEO SOBRE MITO E RELIGIÃO

http://www.youtube.com/watch?v=zCRXCEELxkkhttp://www.youtube.com/watch?v=zCRXCEELxkk